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Covid-19 é Culpa do Capitalismo?



Thomas Eckschmidt, Presidente do Capitalismo do Bem, cofundador do movimento capitalismo consciente no Brasil e coautor do livro Conscious Capitalismo Field Guide (Harvard)


A recente situação da pandemia do Corona Vírus é algo que alguns estão responsabilizando o capitalismo, outros a China (que parece ser socialista, mas para fora é bem capitalista) ou ainda responsabilizando lideres fracos e populistas que não deram a devida atenção para o caso até que se tornasse um problema de verdade.

A realidade é que as práticas econômicas, ou os interesses exclusivos em resultados financeiros nos levaram a este ponto.


Em 2017, tivemos uma mensagem forte de Larry Fink, CEO da Black Rock que administra US$ 6 trilhões em ativos, avisando aos CEO das empresas de capital aberto que vão os investimentos nas organizações com planos claros de longo prazo para alinhar com o interesse de seus clientes (que já estão com a empresa a mais de 5 anos).

Em 2019 um grupo de 183 empresas que representa nada menos que 30% do valor da bolsa de valores dos estados unidos, assinaram um Manifesto através de seus CEO afirmando que estariam focando de forma mais estruturada em todos os stakeholders, e não mais apenas nos acionistas, como vinham fazendo até então.

Por fim chegou a vez do Fórum Econômico Mundial de Davos deste ano 2020 também se manifestar em direção a um capitalismo mais equitável. Chamaram a intenção de Stakeholder Capitalism– o capitalismo dos grupos de interesse. Por que que a forma que estamos operando, foco exclusivo na geração de valores financeiros para os acionistas já não funciona mais.

Stakeholder é um conceito de que identifica as partes interessadas e afetadas por uma organização. O Capitalismo de Stakeholdersse contrapõe ao capitalismo tradicional que somente estava focado nos acionistas seguindo a linha defendida por Milton Friedman (Prêmio Nobel da Economia 1976). A ideia de um capitalismo voltado para stakeholderfoi apresentada de forma estruturada por Ed Freeman (professor da Darden School na Universidade da Virginia) no início deste século.

A ideia de um novo capitalismo não nova, mas é nova nos meios econômicos main-streamcomo Davos. Vários movimentos emergiram com força no início deste século para repensar o capitalismo. Considerar os demais stakeholdersna geração de resultado é algo proposto no capitalismo consciente cuja publicação Conscious Capitalism Field Guide (Harvard), destaca a “integração dos stakeholders” como um dos fundamentos dessa mudança. Michael Porter também destaca a necessidade de se gerar valor para todos envolvidos e não somente para os acionistas - Shared Value (Valor Compartilhado). Economia Circular que repensa o capitalismo a ponto de incluir o stakeholdermeio ambiente de forma sistêmica em sua abordagem de geração de valor. Temos também o Sistema B, que teve a Natura como a maior empresa de capital aberto a se certificar nessa ideia de empresas melhores para o Mundo, além de uma dezena de outros movimentos.

Essas práticas de um capitalismo consciente já vêm de longa data. Podemos até dizer que ele sempre existiu desde que o ser humano começou a empreender. O ato de empreender é um ato de servir, de buscar melhorar algo. Melhorar um serviço, um produto ou mesmo a nossa vida ou para os mais altruístas, melhorar o mundo. O que acontece então durante essa jornada que nasce com uma boa intenção e acaba focando apenas em resultado financeiro? O ego e o resultado de curto prazo são os maiores vilões dessa perda de rumo.

Todas estas novas propostas de capitalismo, propõe gerar de valor de forma sistêmica e com maior ou menor intensidade contemplam os fundamentos do capitalismo consciente:

  • toda empresa deve ter uma causa, deve estar resolvendo um problema, deve ter seu propósito claro, que não é gerar lucro, o lucro é consequência do valor gerado para o ecossistema,

  • toda empresa deve ter uma liderança que servea esta causa, para expandir o propósito e não expandir o saldo de sua conta corrente de seus líderes, deve ser um líder egocêntrico ao invés dos líderes egocêntricos,

  • toda empresa deve reconhecer a interdependência, nenhuma organização funciona (ainda) sem pessoas, funcionários, clientes, fornecedores, comunidade e assim por diante. O ecossistema precisa prosperar junto,

  • toda empresa precisa de uma cultura responsávelque alavanque a causa da organização e perpetue a intenção de melhorar o mundo para além da longevidade dos fundadores, e

  • toda empresa precisagerar valor (k), além do valor financeiro. Valores sociais, emocionais, ambientais e assim por diante, são como energia potencial que se converte em valor financeiro após as crises, e com certeza depois de uma calmaria vem outra crise.

Então, o capitalismo de stakeholders é mais uma ideia que talvez sozinha não fique de pé. É mais uma ideia sem mecanismos de implementação e prática. Porém é uma ideia importante nesse processo de trazer uma mudança no sistema operacional do capitalismo que sempre foi extrativista, para um modelo mais cooperativo e colaborativo.

De alguma forma, vivemos um momento de abundancia e mais líderes estão tendo seus momentos de epifania, um “Click” (C- causa, L- liderança, I-interdependência, C-cultura e K-valor) e começando a jornada para transformar seu negócio em uma ferramenta de melhora para o mundo e assim melhorar as chances de estarem em operação daqui a 10 ou 20 anos.

É preciso reconhecer que o capitalismo foi excelente para produzir riqueza, mas falhou na distribuição dela, o socialismo foi excelente na distribuição de riqueza, mas falhou na produção dela. Os dois sistemas são peças da solução do sistema futuro. Puxar para a esquerda ou para a direita não funciona mais, a China é capitalista e socialista ao mesmo tempo.

Voltando a nossa crise, o que vimos é que as empresas que praticam estes princípios, passaram pela crise de 2007-2008 de forma mais saudável que as demais empresas de capital aberto e ainda assim alcançaram resultados extraordinários. Veja o gráfico abaixo com dados tirados do livro Capitalismo Consciente Guia Prático (Editora Voo 2018).


Você está convencido que precisa mudar? Você está preparado para essa mudança? Você sabe por onde começar? Ativador de Negócios Consciente é um guia gratuito para aqueles interessados nessa jornada (www.CBActivator.cc) ou cadastre-se para a primeira turma online do curso de Ativação de Negócios Conscientes.


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