• Merkaz

Educar para inovar sua vida e o mundo



Este texto contém conceitos e linguagens econômicas, sociais, ambientais, espirituais, tecnológicas, artísticas e outros que como fios de redes vão se entrelaçando em formas complexas, dando vida as novas formas de ser, gerando outras atitudes incluindo inovações. Inovar e educar andam juntos entrelaçando sonhos e desafios que geram sementes de qualidade para novas colheitas.


Deus criou o mundo! Ou melhor, ele inovou criando infinitos mundos que não param de evoluir. Deus nos criou buscando a sua maior inovação: seres humanos que criam outros mundos.


Agora no Século XXI, nosso desafio é integrar esses mundos, as tecnologias que criamos com a natureza que Deus criou com a nossa espiritualidade. Tecnologias ambientais e espirituais que falem a mesma língua que nosso corpo, mente e alma. Educar nosso ser para pensar, sentir e agir de forma orgânica e orquestrada em sintonia com nossos desafios individuais e o planeta Terra que compartilhamos.


Apreender esse diálogo permanente entre o micro e o macro que atuam juntos em ecossistemas ao mesmo tempo naturais, humanos, tecnológicos e espirituais; nos educa a ter uma visão sistêmica, apreender sobre o grande quadro, as causas e as consequências dos desafios que vivemos. Sim, estamos enfrentando desafios individuais e coletivos históricos que criamos e arcamos com as consequências como mudanças climáticas, disrupções tecnológicas, brutais desigualdades e violências, incluindo o avanço do crime organizado e corrupção. É preciso criar mais uma vez novos mundos, inovar nosso ser e o mundo que vivemos.


E por amor aos nossos filhos e as futuras gerações, visamos superar esses desafios, necessitamos gerar sinergias entre vários setores da sociedade e nações, ampliar as velocidades das inovações, reduzir o tempo de gestação quando compartilhamos propósitos e valores e educar para inovar. Aprendendo mais uma vez a criar outros mundos à luz de uma visão sistêmica, complexa, Inter setorial e internacional.


O amor que temos a Deus, a vida e aos nossos filhos não são palavras repetidas, são pequenos atos que se revelam em nossos atos, e revelam ao mesmo tempo nossa educação, compreensão que temos de nosso ser e do mundo que vivemos. Conhecimentos esses que infelizmente não aprendemos na maioria das escolas e universidades, que não se reduzem a um currículo linear, à sala de aula e aos professores, mas que as sementes sempre foram plantadas em nosso ser para criarmos e inovar outras formas de educar gerando novas formas de ser, viver e nos governar. A educação já foi o jardim de Epicuro, as sinagogas, as tribos indígenas e africanas, os mosteiros da idade média e outras formas em diferentes culturas. Se transformou na escola e universidade como conhecemos e continua a se moldar criando outras maneiras de educar porque nossa vontade de saber, aprender e superar desafios pessoais e coletivos está presente desde o início da humanidade assim como nossa fé, amor, capacidade de trabalhar, nos organizar em sociedade, fazer arte e outros propósitos e valores que respondem aos desafios da época que vivemos de forma sistêmica.


Por isso Educar e inovar é ao mesmo tempo economia, história, política, ciência, arte, saúde, espiritualidade, tecnologia, família, aprender sobre a cidade em que vivemos e outros. Essas áreas são por essência interdisciplinares e não se reduzem a uma ciência , assim como os desafios críticos que a humanidade enfrenta como mudanças climáticas, violências, desigualdades, inovações tecnológicas e outras não podem ser explicadas ou solucionadas por apenas uma ciência. É nesse ponto que necessitamos de uma visão sistêmica e complexa para ver o grande quadro que vivemos e criar novos mundos. É nessa encruzilhada que somos levados a querer caminhos curtos e imediatos, a nos enganar, a não dialogar com nosso ser, a natureza, e as tecnologias que nos transformam às vezes em ciborgues sem alma e amor, plugados em redes sociais.


Amar a inovação é amar as pessoas e a terra em que vivemos. Hoje falamos sobre humanizar as tecnologias, mas o mais profundo é sentir as tecnologias à flor da pele das desigualdades, violência e destruição da natureza. Já demonstramos nossas capacidades na ciência, em criar novas tecnologias, viajar pelo espaço e outros. Se tornou urgente mostrar como podemos usar as novas tecnologias para fins sociais, propósitos e valores. Como podemos criar mercados e economias circulares que tirem bilhões de pessoas da pobreza, desigualdades e violências? Porque isso se chama amor as pessoas e à vida. Criar tecnologias que salvem o planeta porque isso é amor à Terra.


Nos educar, educar nossos filhos e as futuras gerações é aprender que todos somos conectados ao mesmo tempo e somos únicos nessa orquestra divina chamada humanidade, tocando suas músicas com os instrumentos que a Terra nos dá. Bênção em hebraico significa “gratuito”, porém são as bênçãos mais caras quando nossa educação nos limita e nos dificulta a deixar nosso legado único na Terra. Talvez Deus tenha nos enviado um WhatsApp espiritual, e ainda não aprendemos a decifrar essa linguagem única que une as tecnologias que criamos com a natureza e nosso ser, tão capaz de inovar a si e o mundo que vivemos. Talvez esse seja o décimo primeiro mandamento que integra todos, ou melhor, o primeiro que resume todos. Entre o zero e o infinito temos que criar métricas para inovar e criar outros mundos, entre elas o amor, a educação, o trabalho, a natureza da qual somos parte, criando diálogo para compreender cada vez mais a si e o mundo que vivemos. De um pequeno grão de terra à Terra da Sabedoria.

 

Sobre o autor:

Egidio Guerra é Empreendedor, Educador e Cineasta. Fellow Ashoka, atuou como consultor do Banco Mundial, ONU, fundador de várias organizações do terceiro setor, executivo em multinacionais e governos. Foi eleito Empreendedor de um novo Brasil pela revista Exame e recebeu prêmios do Presidente da Unesco e da Ministra da Ciência e Tecnologia em Bilbão, entre outros reconhecimentos no Brasil e em outros países.