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Home Office e Inovação: É possível conciliar?



Desde meados de 2020, conversando com várias pessoas de diferentes áreas de atuação, ouvi e li argumentos sobre os prós e contras do home office. O que me chamou a atenção foi que, boa parte dos que eram a favor, citavam a inovação que o home office trouxe nesse ou naquele negócio. Os que eram contra, por sua vez, sentiam falta de um controle mais presencial sobre suas equipes e que o distanciamento dificultava o debate de ideias e as inovações que poderiam surgir a partir do mesmo.


Outro ponto a ser destacado é que, com o isolamento social vieram também os problemas de saúde mental como a síndrome de Burnout, depressão, ansiedade, etc. Afinal, com o home office implementado às pressas, ficou muito difícil delimitar onde começava o escritório dentro de casa e até onde o funcionário tinha que ficar logado e disponível, mas por outro lado esse mesmo isolamento acelerou a tendência digital que vinha se desenhando e ganhando força na última década e mudou definitivamente os hábitos de consumo de centenas de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Esse movimento se mostrou inovador e mudou a forma como encarávamos o trabalho e as relações profissionais e interpessoais.


O que eu me questionei foi o seguinte: Se implementamos o home office, de maneira compulsória e num curto espaço de tempo, por que não o fizemos 10 anos atrás? Afinal, já tínhamos todas as ferramentas necessárias para implementar - laptops, ERP, internet e smartphones - e ainda por cima, o fator tempo estava ao nosso lado, ou seja, não tínhamos a pressa nem a urgência imposta pela pandemia, e poderíamos experimentar com calma um modelo híbrido mais adequado para cada tipo de empresa ou modelo de negócios.


Acho importante, de tempos em tempos, olharmos para o passado e tentar entender o que poderíamos ter feito para evitar, ou amenizar, uma determinada situação até então imprevisível. Em 2010, o risco de uma pandemia poderia até existir, mas esse risco, com certeza não seria o motivo pelo qual nós iríamos implementar o home office em larga escala, tanto que não fizemos.


E não fizemos em 2020 também. Simplesmente não inovamos nesse ponto, fomos forçadas a nos adaptar, fomos reativos e não proativos. Entendo que no Brasil sempre houve muitas barreiras para o trabalho remoto, sejam elas a nossa arcaica legislação trabalhista ou até mesmo uma barreira cultural, mas essas mesmas não foram impedimento para que algumas poucas empresas adotassem o home office de maneira experimental no Brasil no começo dos anos 2.000.


A Honeywell foi uma dessas empresas, mas na época a impressão foi que algumas pessoas estavam relutantes em adotar o home office pois achavam que se não estivessem integradas com a equipe presencialmente, alguém poderia sugerir que seu trabalho não era relevante o suficiente e correriam o risco de serem dispensadas.


Nos Estados Unidos o home office era motivo de discussão desde os primórdios da internet (Anos 90), a IBM tinha um grande contingente de funcionários (40%) em home-office até 2017, em contrapartida a Apple sempre foi mais conservadora nesse sentido e valorizava mais o contato diário entre as pessoas afim de estimular o conflito de ideias dentro do mesmo espaço físico.


Então o que poderia ter nos motivado a começar implantar o home office em caráter experimental naquela época, se já tínhamos disponíveis as ferramentas citadas anteriormente, há mais de uma década? Pelos mesmos motivos que estamos fazendo hoje, um grande impacto em economia com deslocamento, alimentação, tempo e manutenção da saúde mental.


Claro que, com a pandemia, o home office ganhou projeção mundial nos últimos 2 anos, mas meu ponto é: Quais recursos temos disponíveis hoje, que não estamos utilizando e, que poderão ser úteis e nos ajudar a evitar um impacto maior numa próxima crise de proporções globais, quando e se houver?


Um exemplo que está sendo posto em prática atualmente é a parceria entre a plataforma do Facebook, Horizon Workrooms que, juntamente com a subsidiária Oculus, também do FB, estão desenvolvendo maneiras mais interativas de se promover vídeo conferências em um ambiente de realidade aumentada e avatares através de óculos de RV (Realidade Virtual) para uma melhor interatividade, essa iniciativa conta também com a parceria da Zoom, atual líder em videocalls.


No final das contas, não sei se existe uma resposta definitiva sobre qual seria o melhor modelo de trabalho, remoto, presencial ou híbrido. O que não faltam são recursos à nossa disposição atualmente que podemos utilizar e combiná-los da melhor maneira possível e, a partir da combinação das diversas ferramentas disponíveis, desenvolver e testar novas ideias que possam vir a ser verdadeiras inovações.