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Intraempreendedores sociais: adaptando negócios em tempos de crise



Os intraempreendedores sociais vêm ganhando cada vez mais protagonismo no combate a problemas complexos. A última reunião do Fórum Econômico Mundial, realizada em janeiro desse ano, teve como tema principal o capitalismo de stakeholder. Nessa visão de negócios, as empresas devem servir aos interesses de toda a sociedade ao invés de atuar apenas pelo benefício de acionistas. 


Tal preocupação despertou o debate sobre o intraempreendedorismo social, endossado por um estudo recente da Schwabe Foundation, Yunus Social Business e Porticus. No contexto do coronavírus, essa prática se faz ainda mais importante. 

Intraempreendedor e empreendedorismo social 


O intraempreendedor é responsável pelo desenvolvimento de um negócio em uma empresa já existente, visando um novo produto, serviço ou mercado. Este tipo de colaborador está presente no dia a dia de corporações que valorizam a inovação e estão sempre em busca de novas oportunidades. 

Após o último encontro do Fórum as atenções se voltaram à adaptação do intraempreendedorismo para que, além de buscar o lucro, solucione problemas sociais ou ambientais. 


A maioria dos empreendimentos sociais, ou negócios sociais, visa solucionar problemas vividos por integrantes da base da pirâmide sócio econômica. Como a Firgun, que conecta investidores a empreendedores de baixa renda, facilitando o acesso a crédito justo para quem mais precisa por meio de sua tecnologia. 


São as pessoas empobrecidas quem mais sofrem com as consequências de um problema social ou ambiental. No entanto ainda é possível ter um empreendimento social, impactando indiretamente a base da pirâmide. 


É possível dividir o empreendedorismo social em cinco grupos:

  • Organizações sem fins lucrativos que tem uma atividade comercial para custear suas despesas. Como a venda de camisetas e canecas, por exemplo;

  • Organizações sem fins lucrativos que vendem produtos ou serviços conectados ao seu propósito. Como a venda de artesanatos feitos por mulheres capacitadas pela própria ONG;

  • Cooperativas em geral;

  • Empresas que nascem com o propósito de resolver um problema sócio-ambiental e reinvestem todo o lucro na própria empresa;

  • Empresas que nascem com o propósito de resolver um problema sócio-ambiental e distribuem lucro aos sócios


Os últimos dois últimos grupos dividem especialistas. Muhammad Yunus, professor de teoria econômica e Nobel da Paz, vê como difícil e conflitante a relação entre a maximização do lucro e a obtenção de benefícios sociais. Por isso o lucro deveria ser reinvestido em sua totalidade na organização e não deve haver distribuição de dividendos para acionistas.

Por outro lado, Porter e Kramer, professores de economia e administração da Universidade de Harvard, enxergam a distribuição de dividendos como parte da lógica capitalista e importante pois podem atrair novos investimentos. Uma forma eficiente de trabalhar por um capitalismo mais inclusivo.


Os intraempreendedores sociais

Um tipo de empreendedor que trabalha como funcionário de uma empresa já existente para posicionar valores sociais e ambientais ao lado do lucro. Ele implementa projetos inspiradores que direcionam a empresa a fazer o bem. Intraempreendedores sociais podem ter papel importante no contexto atual para apoiar e garantir o futuro das comunidades. 

De acordo com o estudo citado no começo do artigo, o intraempreendedor social tem seis estágios em sua jornada.


O ponta pé inicial

Intraempreendedores sociais começam com um propósito pessoal, uma motivação intrínseca que desperta a vontade de fazer a diferença com suas habilidades. Seja adaptando rapidamente a cadeia de valor para promover a produção de álcool gel ou máscaras, ou realizando consultorias e ensinando serviços a colegas. Tudo começa com uma necessidade de trabalhar para fazer o bem.


Intenção estratégica

Dentre os intraempreendedores sociais que são c-level ou acionistas de suas empresas, 76% descreveram o fato de o serem como um pré requisito para o sucesso dos novos projetos. É preciso entender como a cadeia de valor é pressionada por questões sociais ou ambientais e como beneficiar o negócio ao atuar na solução de tais questões. 

Ideação


Deve-se pensar como endereçar um problema social ou ambiental claro em uma localização geográfica específica. Trinta por cento dos intraempreendedores sociais veem como um desafio a identificação do público alvo, quando estes são novos para eles. Compreender quem é beneficiado pelo produto ou serviço, uma boa pesquisa de campo e parcerias com empresas e ONGs com conhecimento na área, são maneiras de contornar a dificuldade. 


Testagem

Uma vez que os intraempreendedores têm suporte interno, eles começam a testar e pilotar novos produtos e serviços, interagindo com outros funcionários, rapidamente. Operações enxutas e ágeis, aliadas a colaboração de outras áreas, são atitudes chave para 32% dos entrevistados. 


Implementação

Mais da metade dos intraempreendedores sociais têm dificuldade para conseguir suporte interno, para além do apoio daqueles que compõem o conselho da empresa e a mobilização de recursos. Ao mesmo tempo, 45% tiveram sucesso em adaptar seu dia a dia de trabalho como o ciclo de orçamentos e o reporte de metas de curto prazo. Eles utilizaram técnicas de storytelling para conseguir o apoio de seus colegas, desenvolveram unidades de negócio separadas e até entidades com outro CNPJ.


Escala

A escalabilidade é de grande importância para os negócios sociais com baixas margens de lucro. Além disso, mensurar e avaliar o impacto social gerado é vital para comunicar os benefícios para a empresa e sociedade. 


Por que se envolver?

Os benefícios gerados por um intraempreendedor social não estão limitados à sociedade como um todo e à criação de uma imagem de comprometimento da empresa em fazer o bem. Segundo a pesquisa os benefícios se estendem em pelo menos seis frentes:

  1. Para 77% dos entrevistados há melhora no engajamento e satisfação com o trabalho, nas habilidades do funcionário e na atração de novos talentos

  2. Para 61% promove-se alteração de mentalidade, mudança de cultura e até transformação da empresa como um todo

  3. Para 50% o intraempreendedorismo social desperta inovação nos negócios

  4. Para 39% há o benefício do alcance de novos mercados e consumidores

  5. Para 32% a prática leva à valorização da marca


Agora os intraempreendedores sociais, de diferentes nichos de mercado, têm ainda mais força para sensibilizar o processo de decisão em suas empresas e provar o valor das iniciativas que representam e defendem. 


É tempo de entender melhor os consumidores, desenvolver mais programas de intraempreendedorismo com impacto positivo, melhorar a eficiência de campanhas de comunicação para a sustentabilidade dos produtos criados e alavancar a responsabilidade social corporativa para um patamar de mais inovação e prestígio.



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