Metaverso e NFT


Em meados de 2011, ouvi falar do Bitcoin pela primeira vez e a informação que tive é que se tratava de uma moeda virtual, não rastreável, onde você poderia fazer transações ilegais na darkweb. Na época eu não tinha ideia que havia uma tecnologia por trás, o Blockchain.

Depois disso só fui prestar atenção no Bitcoin, como a maioria das pessoas, no final de 2017. Nesse período, a janela de ganho exponencial já havia ficado para trás.


Desde 2021, está havendo um movimento semelhante com as NFTs e com as criptomoedas associadas ao metaverso e games baseados em blockchain.


Basicamente, NFT é a sigla em inglês para “non-fungible tokens”, ou tokens não fungíveis. Os NFTs são uma espécie de certificado de autenticidade digital que conferem a uma arte, a um meme, a uma música ou até ao primeiro tweet da história, o valor de originalidade.


O metaverso é um espaço digital compartilhado por indivíduos que utilizam tecnologias como realidade aumentada e realidade virtual para interagir com o próprio espaço, com conteúdos e com outras pessoas por meio de avatares. O primeiro exemplo de metaverso foi o videogame “Second Life”, lançado em 2003. Em 2006, a dona do avatar Anshe Chung, a empresária chinesa Ailin Graef, fez fortuna alugando centenas de servidores e ilhas dentro do jogo Second Life e prestando serviços de câmbio de moedas dentro do jogo. Foi um dos primeiros casos de alguém ficando milionário através do ambiente virtual.


A partir de 2017 com a popularização mundial do bitcoin pela mídia, o universo de criptomoedas antes “underground”, ganhou novas dimensões atraindo pessoas que sequer tinham ouvido falar desse mercado e, com a pandemia em 2020, o metaverso vem sendo amplamente discutido e vários investidores de grande porte já iniciaram projetos para inserir suas marcas e garantir sua fatia nesse ambiente virtual. O próprio Facebook mudou recentemente o nome para Meta.


O mesmo aconteceu com as NFTs, em 2021 esse mercado movimentou mais de US$ 40 bilhões em criptomoedas que foram enviados para dois tipos de contratos inteligentes associados a mercados e coleções NFT.


Em 2021, as NFTs mais valiosas foram:

  1. The Merge (Pak) - US$ 91,8 milhões

  2. Everydays: The First 5000 Days (Beeple) - US$ 69,3 milhões

  3. Human One (Beeple) - US$ 28,98 milhões

  4. CryptoPunk #7523 - US$ 11,75 milhões

  5. CryptoPunk #3100 - US$ 7,67 milhões

  6. CryptoPunk #7804 - US$ 7,6 milhões

  7. Crossroad (Beeple) - US$ 6,6 milhões

  8. A Coin for the Ferryman (XCopy) - US$ 6,03 milhões

  9. Ocean Front (Beeple) - US$ 6 milhões

  10. CryptoPunk #5217 — US$ 5,59 milhões


Esses NFTs são negociados em casas de leilão renomados como Christie’s e Sotheby’s e atingiram o mesmo status de prestígio e valores de pintores como Van Gogh, Monet, Edvard Munch e Leonardo da Vinci.


Nas últimas semanas tivemos uma notícia sobre os 5 ativos digitais que mais se valorizaram entre 31 de dezembro de 2020 e 27 de dezembro de 2021: Gala (GALA) – 52.000%; Axie Infinity (AXS) – 18.000%; The Sandbox (SAND) – 17.000%; Polygon (MATIC) – 15.000%; Terra (LUNA) – 14.000%.


Em dezembro de 2020, nenhum desses ativos estava nos radares do investidor comum ou da mídia e apenas quem estava acompanhando de perto diariamente poderia considera-los uma aposta com oportunidade de lucro. Mesmo assim, há outros fatores a serem considerados nesses ativos como liquidez e marketcap, afinal, se não houver compradores suficientes para realização de lucros após a valorização, esses mesmos ativos acabam se desvalorizando.


Tulipomania

No século XVII na Holanda, as pessoas que cultivavam tulipas começaram a receber preços fabulosos por elas, especialmente se a variedade fosse rara ou particularmente impressionante e na década de 1630, a tulipomaniaem plena expansão havia se estabelecido, com bulbos individuais alcançando preços estratosfericamente altos. Um bulbo, o Semper Augustus, foi vendido por 6,000 florins: 40 vezes a renda média dos holandeses da época. Embora esse preço fosse um pouco incomum, não eram inéditos os preços de 1,000 florins por um único bulbo.


À medida que a demanda por tulipas crescia, elevando os preços, a especulação também começou a se espalhar. As tulipas eram adquiridas e repassadas a preços altíssimos no mercado, às vezes antes mesmo de serem plantadas, com os vendedores negociando contratos futuros de tulipas. Embora a tulipomania provavelmente não fosse tão difundida na Holanda como alguns historiadores afirmam, ela certamente atingiu um setor da população e, quando o mercado quebrou em 1637, algumas pessoas perderam seu sustento como resultado.


Monkeydex: O Macaco de Wall Street

Em 1999, um macaco chamado Raven fez parte um experimento onde ele tinha de escolher 10 ações entre 133 arremessando dardos aleatoriamente. Nesse mesmo ano, o portfólio do chimpanzé obteve um retorno de 213%, superando mais de 6000 investidores profissionais de Wall Street. Segundo Roland Perry, editor da Internet Stock Review, um dos responsáveis pelo experimento, Raven quadruplicou a performance do índice Dow Jones e dobrou o desempenho do índice Nasdaq. Entretanto, como quase tudo que é baseado no acaso, os resultados obtidos pelo macaco não se mantiveram. Em agosto de 2000, oito meses após o recorde, seu portfólio estava em queda de 34%, enquanto o Nasdaq acumulava alta de 3,37% no ano.


Às vezes parece que o mercado de NFTs e criptomoedas associadas ao metaverso se comporta como num mix do experimento do Macaco de Wall Street e a bolha da Tulipomania...

____________

Sobre o autor:

Ricardo Moraes foi executivo de Comércio Exterior por 15 anos em grandes empresas de automação industrial e varejo, na última década foi sócio de uma empresa de Global Sourcing em São Paulo e em Dubai, atualmente desenvolve uma startup de real estate junto com um sócio americano em Atlanta, GA, nos Estados Unidos.