Pandemia e Informatização: o que incluir nas reflexões para os novos negócios ou revisão de negócios


Empreender é uma oportunidade para projetos de vida que podem começar nos anos iniciais da educação básica ou para projetos de educação financeira. Ao longo dos anos, as pessoas tiveram sonhos na carreira. Os concursos públicos brilharam nos olhos de muitas pessoas na década de 30 do século XX e os cursinhos ou institutos preparatórios foram possibilidades de negócios promissores, posto que a preparação para os certames licitatórios da época previa o exame psicotécnico e as questões de língua portuguesa, de matemática, de previdência social e de legislação do trabalho e havia público interessado em aprender mais para ter estabilidade e remuneração considerada boa. Nos dias de hoje, as pessoas consomem materiais impressos e digitais para estudar para os concursos públicos. Pensar em estabilidade não anula cogitar a flexibilidade e a antifragilidade. Desse modo, os negócios de cursos para concursos públicos precisaram ser revistos, inclusive com a educação online e com os materiais digitais. A análise do mercado é uma das etapas para a elaboração do plano de negócios, assim como a definição do público-alvo e o retrato do mercado.


E o que pensar de negócios na atualidade? Será que as reflexões acerca do plano de negócios mudaram? Enfim, por que escrever um plano de negócios? Iniciamos pela importância, pois o plano, tanto para a abertura quanto para a ampliação do empreendimento, mitiga erros ou equívocos por ausência de análise e mensuração de riscos.


As reflexões acerca de negócios basicamente são as mesmas, o que precisa incluir é o panorama mundial nos quesitos organização de ideias, orientação de expansão, apoio a administração tanto para os dados quanto para as decisões estratégicas, a comunicação entre os stakeholders, a captação de recursos e a gestão de parcerias societais. Stakeholders são pessoas que estão relacionadas com o empreendimento. Pensar em negócios, na atualidade, inclui ter plano e planejamento para ir para a ação. O processo empreendedor é o início que deve seguir para conhecer o ramo de atividade, definir

e delimitar o produto ou o serviço e analisar se físico ou virtual. A análise de mercado permite verificar os stakeholders, identificar quem irá consumir os produtos e os serviços e posicionar a marca em relação ao mercado, ou seja, analisar a qualidade, o preço e a satisfação do cliente. Entender esse mecanismo e usar ações de promoção e de Marketing corrobora para o resultado.


Ações de Marketing são partes de conjuntos de atividades para atender os clientes e o empreendimento com os produtos ou com os serviços, com a venda se física ou virtual, com a captação de clientes ou com as promoções e com o preço desde o custo ao valor monetário final, mas é necessário saber como operacionalizar.

Saber como fazer consiste em estruturar o espaço físico ou virtual com os equipamentos, com os insumos e com os recursos financeiros e computacionais e dimensionar a capacidade produtiva em relação aos custos, aos clientes e aos colaboradores com determinação de tarefas e verificação de intraempreendedores. Tudo com a visão financeira.


Ao pensar em criar ou ampliar o negócio, lembre-se de que será necessário o plano financeiro para o investimento para os custos iniciais, para as despesas e receitas, para o capital de giro e fluxo e de lucros. Detalhes, etapas, cenários, panoramas otimizam negócios e evitam desperdícios, mas os custos que existem antes das operacionalizações precisam ser entendidos, analisados e previstos no orçamento, assim como os investimentos fixos em recursos computacionais e físicos para o funcionamento da empresa. Compreender se existe a necessidade da aquisição ou de sistemas terceirizados de cada parte do empreendimento.


Para tanto, o conhecimento de cenários prospectivos de futuro e panoramas estratégicos auxiliam na previsão de situações ameaçadoras para os resultados, mas a avaliação é fundamental antes da execução, pois o plano de negócio é um mecanismo para a gestão e precisa ser revisto sob os contextos vigentes periodicamente.

É sabido que empreendedores natos são raros e mesmo que sejam nascidos para empreender precisam da educação empreendedora com trabalho nos aspectos sociocomportamentais, no autoconhecimento, na percepção de crise e na viabilidade para o desenvolvimento da ideia.


As pessoas precisam ser estimuladas para perceber os próprios propósitos, para gerar impacto e para inovar em negócios. É preciso saber que para ter o empreendimento com resultados é necessário reduzir ou negar o ócio e para entender o mercado sustentável tanto para o planeta quanto para o corpo do humano. Entender a linguagem do mundo executivo e compreender a natureza humana é uma combinação saudável.

Desenhar o Pensamento para a Conexão com o Desenvolvimento Humano

A saúde e os negócios devem (co)existir no modo de pensar e nas ações empreendedoras para a criação de valores para os clientes e para o desenvolvimento humano ou para resolver o problema dos stakeholders. A empatia, a colaboração e a experimentação podem ser um tripé para criar ou ampliar negócios com vantagem competitiva e resolver problemas estratégicos no mercado que inclui as necessidades humanas sem desperdícios de recursos.

Empatia para entender efetivamente o que as pessoas precisam para mitigar as dificuldades dos outros com rapidez. As pessoas apreciam resolução ligeira a um custo justo. Para ter tal produto ou serviço, a colaboração representa o trabalho com os stakeholders para produzir resultados. Tudo isso com experimentações para criar tangibilidade nos negócios com protótipos e testes antes da solução. Experimentar e explorar para criar modelos concretos e efetivar os testes para saber quando “pivotar”.


Esse termo é muito usado em startups que mudam frequentemente as estratégias, assim como aceleradoras, incubadoras e investidores costumam utilizar. No entanto, o mercado precisa de negócios que não podem ser “pivotados” quando são lançados, como, por exemplo, a inovação na saúde e nas ciências da vida. Muitas vezes, são usados hubs de inovação para a geração de soluções.


A cultura do trabalho sofreu mudanças ao longo do tempo, todavia com o advento da pandemia ou, como denominada por alguns estudiosos, sindemia, houve uma aceleração das transformações profundas que cercam o modo de trabalhar que pode incluir a presencialidade nos atos de laboração que tornam a (co)laboração bem próxima de um estar junto virtual, isto é, mesmo distante as pessoas conseguem produzir soluções por meio de dispositivos móveis ou fixos e softwares.


Ainda que a teoria do estar junto virtual esteja contida na espiral da espiral de aprendizagem na área da educação, a (co)criação, em tempos de home office ou de trabalho remoto, evidencia a interação das pessoas com os dispositivos e com outras pessoas por meio de interfaces que precisam de softwares para a elaboração de soluções ou de documentos.


A construção conjunta depende, como sempre dependeu, de produtividade, ou seja, do desempenho profissional das pessoas. No entanto, após a possibilidade ou a obrigatoriedade do exercício da função remotamente, algumas pessoas performam melhor e têm mais qualidade de vida e bem-estar com o trabalho nas residências.


A adaptação foi rápida e, em alguns casos, foi notado o aumento da produtividade e a redução de custos. Em alguns casos, os colaboradores podem optar por trabalhar remotamente ou ir presencialmente. 93,5% querem manter, ao menos, um dia no formato remoto. Não houve impacto significativo nas admissões ou demissões, assim como no desempenho. No entanto, existem empresas e o setor público que exige a ida presencial após a segunda dose da vacina ou dose única.


Os colaboradores levaram móveis da empresa ou receberam recursos para a compra de móveis de escritório. A conexão e a energia elétrica foram custeadas pelos colaboradores que tiveram o aumento do tempo para as atividades domésticas e cuidados pessoais.


As atividades do trabalho estavam em ambientes virtuais e colaborativos, não foi necessário fazer download de textos, planilhas, apresentações, imagens ou vídeos. Para aumento de segurança das informações, foi solicitado que os arquivos nos mais diferentes formatos não fossem utilizados em versão off-line nos dispositivos pessoais.


O fluxo do trabalho era previsto em ambiente virtual e as comunicações eram feitas em softwares de produtividade, entretanto, algumas mensagens, eram enviadas via mensageiros pessoais. As pessoas levaram um tempo para se acostumar que mensageiros particulares não eram as melhores (info)vias para troca de mensagens profissionais ou envio de arquivos.


Algumas vantagens do trabalho remoto merecem destaque para a ponderação em relação ao retorno presencial: melhoria da produtividade, reuniões com mais foco, redução das conversas paralelas, mais tempo para a organização familiar, mais tempo livre para a fruição e redução de despesas fixas como, por exemplo, energia elétrica e consumo de água no local de trabalho e transporte ou utilização de veículo automotor para o colaborador.


As desvantagens foram inerentes à ansiedade. A ausência de contato pessoal diário aumentou o número de reuniões ou de modos de controle do trabalho. As famílias, com problemas domésticos ou de relacionamento, dificultaram o ritmo do trabalho remoto. A falta de organização na vida pessoal e na vida profissional diminuiu a concentração nas tarefas. A ausência de infraestrutura, a perda de noção do todo e a sensação de demandas de trabalho onipresentes sem término para acabar foram sentidas. Entretanto, as faltas diminuíram consideravelmente e as câmeras fechadas eram frequentes nas reuniões com a justificativa de que o espaço físico não era coerente para o encontro virtual.

Texto escrito por Neli Maria Mengalli.